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ECSTASY – Definição e histórico de caráter educativo

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A MDMA (3,4-metilenodioximetanfetamina) foi sintetizada em 1912 e patenteada em 1914 na Alemanha pela empresa farmacêutica Merck. O propósito dessa síntese era desenvolver um medicamento para diminuir o apetite, no entanto, em função de sua baixa utilidade clínica, os estudos com essa substância foram abandonados.

No final da década de 1970, a utilidade clínica da MDMA voltou a ser discutida, agora como um possível auxiliar do processo psicoterapêutico. Alguns psiquiatras e psicólogos acreditavam que a substância deixava a pessoa mais solta, promovendo assim uma melhor comunicação e vínculo terapeuta–paciente.

Paralelamente, começou a crescer nos Estados Unidos o uso recreativo da droga, chamada agora de êxtase, principalmente entre jovens universitários. Temendo o surgimento de uma nova “era psicodélica” no país, os Estados Unidos decidiram, em 1985, incluir a MDMA na lista das substâncias proibidas. Essa medida logo foi seguida pela OMS (Organização Mundial de Saúde), a qual passou a considerar a MDMA como droga de restrição internacional.

No fim dos anos 80, surgiu em Ibiza, na Espanha, a cena musical e cultural que deu origem à cultura clubber ou dance. Associado a esse novo conceito musical, o êxtase começou a ser difundido na Europa, crescendo ao longo da década de 1990, com a popularização da música eletrônica e da cultura dance.

No Brasil, no início dos anos 90 começaram a chegar às primeiras remessas consideráveis de êxtase vindas da Europa. A partir daí, tem crescido o número de usuários, bem como a importância dada pelos meios de comunicação ao assunto.

Características Gerais da MDMA

A MDMA é uma droga classificada como perturbadora que tem atividade estimulante e alucinógena, os efeitos podem durar até 8 horas, e logo após a ingestão se distribui amplamente pelo organismo. Chegando ao cérebro, a metabolização da droga é realizada principalmente no fígado e sua eliminação ocorre através da urina, sendo concluída após aproximadamente dois dias.
Efeitos físicos e psíquicos:

A droga apresenta efeitos semelhantes aos estimulantes do sistema nervoso central (agitação), bem como efeitos perturbadores (distorção da realidade). Os efeitos da MDMA causam a falsa sensação de excitação, assim como, a melhora na percepção musical e aumento da percepção das cores.

O ecstasy causa também:
  • Diminuição do apetite,
  • Dilatação das pupilas,
  • Aceleração do batimento cardíaco,
  • Aumento da temperatura do corpo (hipertermia),
  • Rangido de dentes e
  • Aumento na secreção do hormônio antidiurético.

Os efeitos residuais são aqueles que perduram dias após o uso de uma droga. Muitos usuários relatam ter um episódio depressivo nos dias após o uso do ecxtase, o que é chamada de depressão de meio de semana. Assim como, fadiga e insônia também são comuns.

Complicações decorrentes do uso:

O uso de ecxtase é geralmente seguido de um grande esforço físico, devido a agitação psicomotora. A associação desses fatores tende a aumentar consideravelmente a temperatura corporal, a qual pode atingir 42ºC e, inclusive, ser mortal.

Uma das complicações mais curiosas, no entanto, é a da intoxicação por água. Com o aumento da temperatura do corpo, a ingestão de água torna-se uma necessidade, porém isso acontece de forma excessiva, e assim, a água pode começar a se acumular no organismo, uma vez que o organismo não consegue metabolizar todo o líquido ingerido, o que dificulta a eliminação dos líquidos do corpo e aumenta a liberação do hormônio antidiurético. Dessa forma, a ingestão excessiva de água pode se tornar perigosa, inclusive fatal.

O ecxtase também pode causar disfunção do sistema imunológico, sendo esse quadro agravado quando há associação dessa substância com o álcool. Há também um significativo ranger de dentes, quadro que é mais acentuado nos dentes posteriores e pode inclusive persistir após o uso da droga. As pessoas que fazem o uso do êxtase podem começar a apresentar problemas no funcionamento do fígado, apresentando icterícia (pele amarelada), assim como, problemas cognitivos na aprendizagem, memória e atenção. O ecxtase pode desencadear problemas psiquiátricos, como quadros de esquizofrenia, pânico (estados de alerta intenso, com medo e agitação) e depressão. Esses problemas têm maior ou menor probabilidade de ocorrer, dependendo das características da pessoa, do momento de sua vida, da frequência e do contexto de uso.

O consumo do ecxtase parece estar principalmente associado à música eletrônica e a um contexto de festa e dança, e mais restrito aos jovens de classes sociais privilegiadas (alta e média-alta). Com o aumento do consumo, tem crescido também o número de apreensões da droga pela polícia, bem como os registros de mortes associadas ao consumo de êxtase no Brasil.

Referências
  • FIGLIE, Neliana Buzi. Aconselhamento em Dependência Química. São Paulo: Roca, 2004.
  • LARANJEIRA, Ronaldo. Prefácio. PINSKY, Ilana; BESSA, Marco Antônio (Orgs). Adolescência e drogas. São Paulo: Contexto, 2004.
  • TIBA, Içami. Juventude & drogas: anjos caídos. São Paulo: Integrare Editora, 2007.

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