JavaScript must be enabled in order for you to see "WP Copy Data Protect" effect. However, it seems JavaScript is either disabled or not supported by your browser. To see full result of "WP Copy Data Protector", enable JavaScript by changing your browser options, then try again.

Governo Federal desaprova a utilização de Ibogaína no tratamento da dependência química

Problemas com Álcool ou Drogas? Podemos ajudar!
(61) 99870-8865 / (61) 99905-8865
crack

Ibogaína é o princípio ativo da raiz da iboga. Trata-se de um alcalóide indólico enteogênico, com propriedades alucinógenas, derivado de uma planta Africana chamada Tabernanthe Iboga1 e tornou-se conhecida por fazer parte de rituais existentes desde a pré-história2.

Em virtude da ausência de evidências científicas e da ocorrência de efeitos adversos graves de seu uso, a ibogaína não é licenciada para uso terapêutico no Brasil. Trata-se de uma substância que interage com vários sistemas de neurotransmissores sobre o cérebro4 e, que nos últimos anos, trouxeram relatórios alarmantes de complicações com risco de vida e casos de morte súbita, associados à sua administração5. As hipóteses dessas reações adversas estão correlacionadas à propensão da ibogaína induzir arritmias cardíacas6, sendo considerada por diversos estudos, como neurotóxica e cardiotóxica, e ligadas a várias mortes por parada cardíaca7-8, além de ter sido associada a um estado alterado de consciência, ataxia, desconforto gastrointestinal, tremores, náuseas, vômitos, crise epiléptica generalizada e morte súbita, muitas vezes inexplicadas5,9-11.

Os estudos clínicos conduzidos com a ibogaína para o tratamento da dependência química são baseados em pequenas séries de relatos de casos, que usaram procedimentos de recrutamento retrospectivos12-14. Para que determinada substância seja utilizada de maneira terapêutica, é imprescindível a realização de estudos contundentes, de caráter clínico-controlado a fim de corroborar seu uso clínico com eficácia e segurança.

Diante disso, o Governo Federal, por intermédio da Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas (SENAPRED) do Ministério da Cidadania, tem os seguintes pontos a declarar:

  • Até o presente momento, não há comprovação científica consistente que respalde o uso de ibogaína para o tratamento da dependência química;
  • Não há evidências científicas que garantam a segurança do uso de ibogaína de forma terapêutica, tratando-se de uma substância com riscos graves reportados, incluindo morte súbita;
  • Não há regulamentação da ANVISA para o comércio da ibogaína como medicamento, sendo sua oferta e comercialização proibidas e passíveis de denúncias, por meio da Central de Atendimento ANVISA Atende, pelo telefone 0800 642 9782, ou pelo e-mail: [email protected].

Por fim, a SENAPRED é absolutamente contrária à utilização da ibogaína para tratamento da dependência química, em qualquer contexto clínico e terapêutico, devido aos graves riscos reportados, até que evidências científicas robustas comprovem a eficácia e a segurança desta droga para esta finalidade. Para além disso, se fazem necessárias as devidas regulamentações pelos órgãos brasileiros competentes, conforme recomendação explícita na Nota Técnica nº 64/2020 SENAPRED/SEDS/MC.  

Elis Viviane Hoffmann
Coordenadora-Geral de Formação

Lívia Faria Lopes dos Santos Oliveira
Coordenadora-Geral de Pesquisa e Difusão do Conhecimento Científico 

Elflay Miranda
Diretor de Articulação e Projetos Estratégicos

Cláudia Gonçalves Leite
Diretora de Prevenção, Cuidados e Reinserção Social

 Quirino Cordeiro Junior
Secretário Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas

Referências:

  1. Bouso JC et al. An analytical study of iboga alkaloids contained in Tabernanthe iboga-derived products offered by ibogaine treatment providers. Arch Clin Psychiatry. 2020;46(2):51-4.
  2. Fernandez JW. Bwiti: an ethnography of the religious imagination in Africa. Princeton, New Jersey: Princeton University Press 1982.
  3. Koenig X, Hilber K. The anti-addiction drug ibogaine and the heart: a delicate relation. Molecules. 2015;20(2):2208-2228. Published 2015 Jan 29. doi:10.3390/molecules20022208.
  4. Wasko MJ et al. DARK Classics in Chemical Neuroscience: Ibogaine. ACS Chem Neurosci. 2018 Oct 17;9(10):2475-2483. doi: 10.1021/acschemneuro.8b00294. Epub 2018 Oct 9.
  5. Corkery JM. Ibogaine as a treatment for substance misuse: Potential benefits and practical dangers. Prog Brain Res. 2018; 242:217-257. doi: 10.1016/bs.pbr.2018.08.005. Epub 2018 Oct 12.
  6. Dos Santos RG, Bouso JC, Hallak JEC. The antiaddictive effects of ibogaine: A systematic literature review of human studies. J Psychedelic Stud. 2016;1(1):20-8.
  7. Koenig X, Hilber K. The anti-addiction drug ibogaine and the heart: a delicate relation. Molecules. 2015;20(2):2208-2228. Published 2015 Jan 29. doi:10.3390/molecules20022208.
  8. Koenig, X., Kovar, M., Boehm, S., Sandtner, W., & Hilber, K. (2014). Anti-addiction drug ibogaine inhibits hERG channels: a cardiac arrhythmia risk. Addiction biology, 19(2), 237–239.
  9. O’Connell CW, Gerona RR, Friesen MW, Ly BT. Internet-purchased ibogaine toxicity confirmed with serum, urine, and product content levels. Am J Emerg Med. 2015;33(7): 985.e5-6.
  10. Meisner JA et al. Ibogaine-associated cardiac arrest and death: case report and review of the literature. Ther Adv Psychopharmacol. 2016 Apr;6(2):95-8. doi: 10.1177/2045125315626073. Epub 2016 Jan 13.
  11. Breuer L, Kasper BS, Schwarze B, Gschossmann JM, Kornhuber J, Müller HH. “Herbal seizures”–atypical symptoms after ibogaine intoxication: a case report. J Med Case Rep. 2015; 9:243. Published 2015 Oct 31. doi: 10.1186/s13256-015-0731-4.
  12. Mash, D. C., Duque, L., Page, B., & Allen-Ferdinand, K. Ibogaine Detoxification Transitions Opioid and Cocaine Abusers Between Dependence and Abstinence: Clinical Observations and Treatment Outcomes. 2018. Frontiers in pharmacology, 9, 529. https://doi.org/10.3389/fphar.2018.00529.
  13. Barsuglia, Joseph & Polanco, Martin & Palmer, Robert & Malcolm, Benjamin & Kelmendi, Benjamin & Calvey, Tanya. (2018). A case report SPECT study and theoretical rationale for the sequential administration of ibogaine and 5-MeO-DMT in the treatment of alcohol use disorder. 10.1016/bs.pbr.2018.08.002.
  14. Schenberg EE, De Castro Comis MA, Chaves BR, Da Silveira DX. Treating drug dependence with the aid of ibogaine: a retrospective study. J Psychopharmacol 2014;28: 993–1000.
  15. ANVISA. Tratamentos com ibogaína não estão regulamentados. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/.

Nota técnica Nº 64/2020

Fonte: UNIAD

Veja mais

Preferências de Privacidade
Quando você visita nosso site, ele pode armazenar informações através do navegador de serviços específicos, geralmente na forma de cookies. Aqui você pode alterar suas preferências de privacidade. Observe que o bloqueio de alguns tipos de cookies pode afetar sua experiência em nosso site e nos serviços que oferecemos.