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Pandemia diminui em até 90% procura de dependentes químicos por ajuda e NA reforçam atendimento via web

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Psicóloga destaca que pressão do isolamento pode atingir de forma mais intensa quem busca prazer nas drogas. Com Campinas na fase vermelha da quarentena, reuniões presenciais do NA não podem ser realizadas, e grupos se esforçam para ajudar de forma online.

Os impactos da pandemia vão além da saúde e economia. Diante da pressão do isolamento, necessário para mitigar o avanço do novo coronavírus, pessoas podem buscar o prazer que a liberdade lhes dava no consumo de álcool ou drogas. Para dependentes químicos, de forma mais intensa, como explica a psicóloga forense e professora da PUC-Campinas, Maria de Fátima Franco dos Santos. Tal cenário preocupa quem está acostumado a estender a mão aos que desejam largar o vício. Sem a possibilidade das reuniões presenciais, o Narcóticos Anônimos estima queda de 90% na procura pelo auxílio na quarentena, mas reforça o atendimento via web para mostrar que há uma saída.

Instalado em Campinas desde 1982, o Narcóticos Anônimos conta com 30 grupos ativos na cidade. Antes da quarentena, a média de novos participantes girava em torno de 150 pessoas por mês. Com a restrição das reuniões pessoais, a estimativa é que apenas 10% disso tenha procurado ajuda. Uma saída tem sido a implantação e reforço das reuniões virtuais.

Ferramenta que o grupo já utilizava em localidades mais afastadas do País, a reunião virtual virou alternativa viável com o isolamento. Segundo o grupo, já foram realizadas 267 delas no Interior de São Paulo. Em todo o Brasil, o número passa de 1,7 mil.

Apesar de ampliar a oferta, adictos do NA, que é como os membros se definem, reconhecem que a distância é uma barreira, principalmente nos primeiros passos para largar o vício.

“O nosso propósito foi prejudicado efetivamente com a pandemia. Para os membros mais antigos, não, mas nosso objetivo é que a mensagem, a ajuda, chegue a mais pessoas. E sei a dificuldade desse primeiro passo. A pessoa, quando chega ao Narcóticos Anônimos, chega sem nada. Eu não tinha dinheiro, estava no fundo do poço. Fica difícil imaginar que quem está nessa situação, tenha um celular com internet e um local confortável para participar da reunião”, conta João (nome fictício), “limpo há 17 anos e sete meses”.

Mesmo com as ressalvas, a irmandade tem intensificado a ação por saber a importância do dependente saber que tem alguém que se importa. “Quando você chega, nem todos sabem se querem parar ou não. O número reduziu, mas temos pessoas que entraram a primeira vez pela reunião online e ficaram”, destaca João.

Ações na sociedade

A missão de apoiar e transformar a vida de outras pessoas que sofrem com a dependência química move os participantes, que atuam de forma voluntária em diversos setores e na disseminação do programa. Gabriela (nome fictício), limpa há 19 anos, ressalta que a pandemia trouxe apreensão e desespero, principalmente pela interrupção de atividades que ajudavam a mostrar um caminho a viciados.

“Nós tínhamos ações em hospitais e instituições, íamos àqueles que não podem se locomover, os que estão dentro de penitenciárias, nas moradias estudantis, tínhamos até uma reunião com moradores em situação de rua. A gente imagina o desamparo nesse momento”, diz.

Para tentar “motivar” quem procura ajuda e não tem a possibilidade do contato mais próximo e calor humano, o grupo tem um usado uma ficha simbólica de frequência pelas etapas vencidas, do 1º mês ou 60 dias limpos.

“É uma forma da pessoa saber que pertence a alguma coisa. Quando você usa [drogas], você se desconecta com a família, com o amor próprio, com a realidade, e passa a viver uma angústia que é sentir que não se pertence a mais nada. Para ter uma primeira ficha, a pessoa paga, entre aspas, muito caro”, ressalta Gabriela.

Por experiência própria, ela cita uma colega que auxiliou no momento e, mesmo com as dificuldades atuais, permaneceu no NA. “Está há dois meses limpa”, completa.

Passo atrás

A reclassificação da região de Campinas à fase vermelha do Plano SP foi um passo atrás na retomada das reuniões presenciais do Narcóticos Anônimos na região. Apesar de não ter uma classificação específica no projeto de flexibilização das atividades na quarentena, as ações poderiam aproveitar as regras impostas às atividades religiosas, com restrição de pessoas, distanciamento e medidas de higiene.

“Não tem no código de atividade econômica uma classificação para tratamento de dependência, por isso nos assemelhamos às regras da atividade religiosa”, conta Francisco (nome fictício), limpo há 24 anos e cinco meses.

Depois de um projeto de retomada de reuniões parciais, já que Campinas esteve por um período na fase laranja, as atividades migraram novamente e exclusivamente para o ambiente virtual. “As reuniões virtuais são o que podemos fazer. Eu faço parte do serviço que conecta nossa região com NAs pelo mundo. Quase 100% da comunidade mundial, por conta do coronavírus, transformou o presencial em virtual”, conta João.

O programa

De acordo com Francisco, o programa do Narcóticos Anônimos é o mesmo desde 1953, quando a irmandade surgiu no Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Ele define que o trabalho tem princípios espirituais, ligado ao emocional, mas não é religioso.

“São um conjunto de princípios, através de um programa de 12 passos, objetivo, que inclui fazer reparações, ter gratidão. Ele foi gentilmente cedido pelo Alcoólicos Anônimos, e nós fizemos pequenas adaptações, terminologias. O detalhe é que as reuniões são, sim, o ponto alto”, explica.

Segundo Francisco, a reunião “entre iguais” ajuda na recuperação, e por isso o grupo tem se esforçado para levar a mensagem mesmo em tempos de pandemia.

“É um momento de redescoberta da personalidade. Cada um com seus traumas, anseios que os levaram a usar drogas. As reuniões são essenciais no programa, a recuperação fica prejudicada se não nos reunirmos com nossos iguais. Essa identificação uns para os outros é o que faz que nos dediquemos aos princípios”, completa Francisco.
Efeito coronavírus

Psicóloga forense e professora da PUC-Campinas, Maria de Fátima Franco dos Santos ressalta que o usuário de produtos químicos o faz para conseguir algum prazer, e “a pandemia tirou o prazer de muita gente”.

“A falta de liberdade é uma coisa muito cara para todo mundo. Se a pessoa já tem nas drogas ou no álcool uma válvula de escape, não podendo usufruir a liberdade e o que vem com ela, faz com que o consumo seja uma fonte de substituição do prazer perdido”, diz.

A psicóloga lembra que a pressão pode afetar ainda quem parou por algum tempo, e pode ter uma recaída diante do cenário de tantas incertezas, sejam elas sanitárias, econômicas. A professora classifica o momento atual como uma situação extrema para as emoções.

“É diferente até de uma pessoa que está presa. Ela sabe que a pena vai terminar daqui a tanto tempo. Com a pandemia, o que se sabe de fato? Nada. Podem vir outras ondas, pode demorar para ter uma vacina, um tratamento. As pessoas estão vulneráveis”, pontua.

Na avaliação de Maria de Fátima, o impacto da pandemia atinge a maioria da população. “Menos o negativista, que acha que está tudo bem. Quem está fora da realidade”, completa.

Serviço

Narcóticos Anônimos
Telefone: 0800 888 6262
Site: www.na.org.br

Fonte: G1

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